Lata de tinta e digital parcial levaram polícia aos suspeitos de matar fazendeiro no Tocantins
Vídeo mostra momento em que produtor rural é assassinado em Miranorte Uma digital parcial coletada e uma lata de tinta apreendida pela Polícia Civil ajudaram...
Vídeo mostra momento em que produtor rural é assassinado em Miranorte Uma digital parcial coletada e uma lata de tinta apreendida pela Polícia Civil ajudaram os investigadores a chegar aos suspeitos de envolvimento na morte do produtor rural José Geraldo Oliveira Fonseca, de 39 anos, em Miranorte. Os detalhes da investigação estão na decisão que autorizou a prisão de seis suspeitos. O crime aconteceu na noite de 7 de setembro de 2024. José Geraldo jantava com a família em uma pizzaria no centro da cidade quando dois homens em uma moto chegaram. Câmeras de segurança registraram o momento em que um dos criminosos desceu e atirou na vítima pelas costas. Um dos executores foi identificado após peritos encontrarem fragmentos de digitais no retrovisor da moto usada no crime. Os agentes cruzaram os dados da digital com o banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e chegaram ao nome de Rosevaldo Pedrosa de Albuquerque Júnior. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Rosevaldo e José Nadson de Santana Júnior, apontados como os pistoleiros, foram localizados em Maceió (AL), mas morreram após confronto com a polícia durante a tentativa de prisão. O g1 não conseguiu contato com representantes deles. LEIA TAMBÉM: Fazenda comprada por Alexandre Pires no Tocantins tem potencial geográfico para criação de gado e agricultura Lagoa do Japonês: saiba como chegar e quanto custa para curtir o atrativo Reforma administrativa em Palmas extingue agência de transporte e cria novas pastas; confira Fazendeiro foi morto a tiros por rival no Tocantins Arquivo Pessoal Conforme a polícia, a moto usada no dia do crime estava com a placa alterada e tinha sido pintada há pouco tempo para dificultar o trabalho da polícia. Durante as investigações, uma lata de tinta semelhante à usada para pintar a moto foi encontrada pela polícia, além de registros de transferências bancárias. Os indícios reforçaram o elo entre os executores e o produtor rural Roberto Coelho de Sousa, que é apontado pela polícia como suposto mandante do crime. O crime teria sido intermediado por Adão dos Reis Bessa, funcionário de Roberto. "Deferida a representação, a Polícia Civil deu fiel cumprimento aos mandados, tendo sido apreeendidos, dentre outros objetos, os telefones celulares dos investigados, bem como uma lata de tinta semelhante à utilizada para descaracterizar a motocicleta utilizada na execução do crime", diz trecho da decisão. O delegado Heliomar dos Santos Silva afirmou que o crime foi planejado em detalhes. "A investigação ainda está evoluindo. Com as prisões temporárias de 30 dias, vamos aprofundar a motivação. O que já sabemos é que eram empresários rivais na produção e venda de abacaxis, eram inimigos declarados e tinham problemas pessoais", explicou o delegado Afonso Lira. Quem são os presos Entre os presos pela Polícia Civil está o fazendeiro Roberto Coelho de Sousa, apontado como o mandante do crime devido a uma rivalidade comercial com a vítima. Também foi alvo da operação Adão dos Reis Bessa, funcionário de Roberto, suspeito de atuar como intermediário. Diego Andrade da Silva, parceiro comercial do fazendeiro, e Raquel Faria Rodrigues teriam participado ativamente da trama e atuado na intermediação de pagamentos do mandante aos executores, tanto em dias anteriores quanto no dia posterior ao crime. A defesa de Roberto Coelho de Sousa e Adão dos Reis informou que, até o momento, não teve acesso integral aos autos do procedimento, circunstância que impede uma análise mais detalhada do caso (veja a nota na íntegra abaixo). Já a defesa de Raquel Faria disse que, neste estágio processual, prioriza o exame técnico e integral dos autos antes de emitir qualquer pronunciamento (leia a íntegra abaixo). O g1 não conseguiu contato com a defesa de Diego Andrade da Silva até a última atualização desta reportagem. Entenda o caso Para a Polícia Civil, a motivação foi uma briga antiga no mercado de abacaxis. Roberto Coelho de Sousa, que também é fazendeiro do setor, era concorrente direto de Geraldo e tinha problemas pessoais com ele. Geraldo trabalhava no setor há 18 anos e deixou esposa e dois filhos. A família o descreve como um homem honesto e que gostava de ajudar a comunidade. "Sempre vou lembrar dos nossos momentos em família. Ele ajudava todo mundo à sua volta", lamentou um parente que não quis se identificar. Íntegra da nota de Roberto Coelho de Sousa e Adão dos Reis Defesa de Roberto Coelho e Adão dos Reis Inicialmente, cumpre destacar que, até o presente momento, a defesa não teve acesso integral aos autos do procedimento, circunstância que impede a análise detalhada dos fatos e dos elementos que teriam fundamentado a medida de prisão. Ressalta-se que o acesso aos autos é prerrogativa fundamental da advocacia, sendo indispensável para o pleno exercício do direito de defesa e para a garantia do devido processo legal. Diante disso, a defesa informa que adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para obter imediato acesso aos autos e, a partir da análise técnica do procedimento. Por fim, reitera-se que todo investigado ou acusado possui o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, razão pela qual qualquer conclusão antecipada deve ser evitada até que os fatos sejam devidamente esclarecidos no âmbito do processo. Íntegra da nota Raquel Faria Defesa de Raquel Faria Na condição de representantes jurídicos de um dos investigados, compreendemos a relevância social do caso e a necessidade de informar o público, entretanto, esclarecemos que, neste estágio processual, a defesa prioriza o exame técnico e integral dos autos antes de emitir qualquer pronunciamento circunstanciado sobre o mérito das suspeitas levantadas. É imperativo ressaltar que a análise detida dos elementos probatórios e das ordens de prisão é medida indispensável para a elaboração de uma defesa técnica eficaz, de modo que qualquer manifestação precipitada sobre detalhes das investigações poderia comprometer não apenas a estratégia defensiva, mas o próprio curso do inquérito policial. Assim que for concluído o acesso a todo o conteúdo das diligências, incluindo as informações provenientes das prisões efetuadas e mandados cumpridos, providenciaremos as medidas cabíveis para assegurar a proteção dos direitos e das garantias fundamentais de nossos constituintes, visto que nossa postura é pautada pela estrita colaboração com as autoridades competentes e pelo respeito incondicional à Justiça. A defesa se fará presente em todos os atos necessários para demonstrar a ausência de envolvimento do cliente com as condutas imputadas, sempre sob a égide do devido processo legal e da presunção de inocência, estando convictos de que, no decorrer das investigações e da instrução processual, a verdade será restabelecida e a inocência do nosso cliente será devidamente comprovada. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.